a boca vermelha molhada de sal...
Ah, se soubesse velando meu sono
Sabia que quando eu sonho
Também me cerco de mal?
Eu sangro, eu espero, eu ouço
Tu vais, tu vens, tu ficas, por quê?
Ele fala, ele ouve, ele conversa

Nós ouvimos, nós pensamos, nós achamos, o quê?
Vós temeis, desentendeis, fugis, vós tremeis
Eles dormem, eles sentem muito, eles amam

O quê?
Sou escrava da Palavra. Escrava da Palavra. Escrava. Palavra. Escrita. Palavra Escrita. Mesquita. Religião.
A Palavra é minha Religião, tal qual a Escrita, e dela sou Escrava, falada ou impressa.
Imprensa?
-que de mim se ocupe se convir.

Escrevo porque pertenço, e chego ao papel como quem vai à mesquita, munida de caneta e véu, e rezo.

Minha fé é um pensamento torto que me ocorre na hora de dormir, quando sento e escrevo sem descansar, como quem confessa um pecado infame à pagina virgem...

Peco sem dó nem ré, rabisco uma página bíblica com um verso tosco...
...sem remorso, cubro as letras de Cristo com a crista da minha fé, da prosa ou poesia da qual me ocupo hoje.
Você me tira de casa na Sexta à noite, sem exigir de mim a roupa e o banho;
Sem rumo certo, atravessamos as horas entre correntes de ar e taquicardia.
Sufoco-me em teus carinhos passageiros...
E, quando penso já ter de ti o bastante, afasta-se de mim na penumbra, os cortes sem ter o que ferir.
Persigo teus passos às cegas, incerta, a decepção em cada esquina, os olhos delirantes a esperar por ti.....

E quando me penso sozinha, entre notas e acordes teu cheiro vem me penetrando pelos corredores
Trêmula, agarro-me às curvas com o peito saltitante, a paixão corroendo-me as entranhas.
Com o suor escorrendo pela pele, fecho meus olhos transbordantes de desejo e loucura...
E enfim me entrego ao gozo teu, pálido e triste
Seu tempo em minhas mãos
Semper a te procurar, a te perseguir, a esperar por ti e a esperar por ti...
Oi você que não sabe pra onde ir. Um aceno comovido pra você que tenta. Venho andando por aí, levada pelos ventos, sempre atrasada e tentando não esquecer. Ainda por aí? Será que te encontro na angústia da espera?

Calvin and Hobbes - tirinha de Depósito do Calvin


É para as almas errantes que escrevo, todas perdidas como eu, se ajudando sem parar. Um minuto. É só o que peço pra cada coisa tua que gostes de fazer.
Em cada passo largo, em cada avenida estreita e a cada escada fora do lugar tem alguém em busca de compreensão. Aqui estamos, na lama do que sonhamos, no que evaporou daquele ardor...